Territórios Recombinantes
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Um… até breve… com toda a doçura de Daniela Castro
nov 18th, 2008 by Paloma | 1 Comment »

…por Dani Castro…

Isso vai ser longo. São muitas as entradas nesses territórios, e eu espero que a introdução não dissipe o interesse pela discussão que segue. A saber: as impressões que podemos colocar em palavras dos encontros entre tantas pessoas “lugares” e trocas; entre tantas tomadas de consciência advindas das pesquisas artísticas – que se misturam à pesquisas (sobretudo) pessoais, acadêmicas, estéticas, éticas e políticas, que vimos emergir desses encontros em Belo Horizonte, Florianópolis e Salvador.

Foi numa troca com o Menotti – o primeiro editor deste blog -, quando ele achou um texto da Miwon Kwon chamado “O Lugar Errado”, traduzido pelo Jorge Menna Barreto e revisado por mim, que finalmente localizamos o lugar dos Territórios Recombinantes.

Se esperamos que o território seja uma articulação pura entre espaço e informação, nas palavras dele, “um espaço informado – isto é, com forma”, essa arquitetura não se revela sem que se perceba sua volatilidade e insuficiência. Como quando, por exemplo, a pessoa pega um avião e vai parar em um destino “errado”, só porque ele tinha o mesmo nome.

É isso que acontece em Valparaíso, peça de Don DeLillo que serve como ponto de partida para Miwon Kwon analisar o valor do lugar (e de se estar onde se está). Na peça, Michael Majeski tem que ir para Valparaíso, em Indiana, para uma viagem corriqueira de negócios. Mas, por alguma confusão nos itinerários da companhia aérea, ele se descobre a caminho de cidades homônimas na Flórida e no Chile (aparentemente, há ao menos 4 Valparaísos no mundo).

Estou assistindo a decolagem ao vivo no vídeo. Estou no avião, estou no meu assento. Há um monitor à frente. Eu olho para o monitor e o avião está decolando. Eu olho para fora e o avião está decolando. E então? O avião está decolando fora da cabine e o avião está decolando dentro da cabine. Eu olho para o monitor, eu olho para a terra.

Respondendo à pergunta do por quê ele não havia percebido que estava tomando um destino que não o planejado, Majeski responde:

Sim. Foi estranho. O avião parecia grande demais, largo demais para um vôo inter-estadual. … E eu não disse nada. Eu fiquei intimidado pelos sistemas. A enorme sensação de poder a minha volta. Sendo carregado e respirando. Como eu poderia me impor frente a essa força? Os sistemas elétricos. Os motores funcionando… A sensação de sustento da vida. O oxigênio nas máscaras… Eu me senti submisso. Eu tive que me submeter aos sistemas. Eles eram todo-poderosos e totalmente sabedores. Se eu estava num assento marcado. Pense a respeito. Se os computadores e detectores de metal e a equipe uniformizada e os cachorros cheiradores de bomba permitiram que eu chegasse até o meu assento marcado e me deram um cobertor da empresa que eu podia tirar do plástico, então era à esse lugar que eu pertencia. Era assim que eu pensava naquele momento.

Percebe-se aqui que o personagem acaba no Chile não por distração, mas porque ele reconhece uma inusitada forma de pertencimento: uma que não está ligada a nenhuma localidade específica, mas a um “sistema de movimentação”. O que nos importa é que a preocupação central de DeLillo não é tanto a originalidade do espaço pós-moderno confirmado por sua arquitetura (multicentral ou multicentralizado), e sim a onipresença da tecnologia de transmissão como força organizadora de nossas vidas e mentes.

“Ao invés de conseguirmos fazer algum sentido do espaço, é o espaço que faz sentido de nós, atua sobre nós”, diz Kwon.

O Territórios Recombinantes se porpôs a criar encontros onde coletivamente faríamos sentido do espaço que ocupávamos durante o evento (a conversa-debate das sextas-feiras e as leituras de projetos aos sábados). O TR pensou a questão do espaço e o trânsito nele menos como uma contradição entre a nostalgia pelo contato físico em meio à compactação informática do mundo e a euforia gerada pelas promessas de conectividade constante, e mais em termos de pensar a amplitude dessa aparente oposição enquanto relações de complementariedade.

Invertemos a lógica do trânsito individual (dos artistas e profissionais da arte em residências e festivais pelo mundo, por exemplo) pelo trânsito do próprio projeto. É o evento que se desterritorializa e vai até os artistas. Os participantes não têm que ser nômades, mas ocupam o lugar de anfitriões. Foi menos uma experiência de mapeamento, tendo em vista que “mapear” já pressupõe métodos e coordenadas estabelecidas a priori, e mais a tentativa de criar um espaço para trocas sobre o fazer e pensar artísticos. Os espaços dos encontros não foram vistos como pontos num “sistema de movimentação” e sim como lugares de intertextualidade; territórios recombinantes.

O TR focou sua atenção em projetos artísticos realizados com a utilização de meios eletrônicos e digitais (forte presença do vídeo; vídeo-instalações, net arte, instalações de arte generativa, arquiteturas interativas, programação, etc). Podemos, então, esperar de um empreendimento como esse que ele nos esclareça não apenas sobre a arte contemporânea e a arte tecnlógica, mas sobretudo sobre o conjunto formado pela sua reunião; que ele possa ligar duas regiões que em geral são tratadas separadamente pela crítica e talvez conseguir esboçar uma visão compreensiva  sobre esse conjunto. Porque compreender não é necessariamente concluir, arriscando generalizações. Nem tão pouco é tentar substituir um conceito em seu compartimento de origem, mas faze-lo funcionar agora para nós. Compreender é fazer andar, é pôr em movimento estando consciente do lugar a ser percorrido.

Esses encontros se deram em meio a apresentação de trabalhos prontos, em processo e ainda no papel, sempre com respostas precisas dos artistas convidados – Eder Santos, Luiz Duva, Tiago Romagnani, Danillo Barata e Marcus Bastos – como dos próprios participantes. Um feedback comum dos participantes após cada evento em cada cidade era o de que essa dinâmica fazia com que “nós nos conhecêssemos a nós mesmos”. Um espaço de conhecimento (técnico, artístico, pessoal) enorme, percorrido sem sair do auditório.
Tem mais por vir…

*vídeos: Jorge Menna Barreto 

Lugares Moles, 2007

vídeo-instalação em 3 canais, 60min, cada

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Um até breve…
nov 18th, 2008 by Paloma | No Comments »

Não sei se chegamos a algum lugar… não é o resultado que nos importa, mas todo o processo, o lugar errado que se torna o lugar mais correto não pela localização, mas por todos os sentidos que se recombinam e se transformam.

Verticalizando non e main stream, assumindo errâncias, libertando-se dos press-releases e buscando novos caminhos que percebo muito positivos e criativos.

Por enquanto, ficamos por aqui, mas os projetos para um futuro próximo se proliferam (saberão no decorrer das confirmações…).

A troca é para todos… para os que tornaram possível a realização em cada cidade, para os que participaram fisicamente, para o Gabriel e para mim que estivemos sempre presentes virtualmente.

Obrigada a todos.

Continuaremos procurando e (nos)recombinando com olhares, ouvidos e sentidos bem atentos…

P.

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Um… até breve… por Camila Duprat e Renata Motta
nov 18th, 2008 by Paloma | 2 Comments »

Dos projetos que o Instituto Sergio Motta vem realizando desde 2000, o TR é o que permite uma troca mais efetiva, uma imersão na produção de cada uma das cidades visitadas. Na dupla mão que se estabelece entre a equipe do Instituto e o meio artístico local, esses encontros revelam as produções e os questionamentos que estão acontecendo nas cidades.

BH, Floripa e Salvador foram experiências reveladoras de novos processos, mas também de trabalhos consolidados e discussões conseqüentes. Ao lado disso, há o privilégio do encontro, de uma troca intensa naqueles dois dias.

Obrigada aos artistas, às instituições parceiras e aos responsáveis pela organização local dos eventos, pelo compartilhamento de idéias e criações, pela eficiência e pela acolhida generosa!

O Blog TR foi uma maneira de dar maior visibilidade à produção de cada local visitado, mas principalmente, uma forma de iniciarmos uma articulação, de entrarmos em contato.

Buscamos a ativação contínua de uma rede, voltada à criação contemporânea e à cultura digital. Informação, pessoas, lugares são três elementos, que nas suasrelações, são a base para a articulação dessa rede.

É nesse sentido, que o projeto TR busca uma malha que inclua os pontos de vistas das pessoas, que problematize os lugares.

Mesmo com o encerramento da editoria da Paloma Oliveira no Blog TR, esse canal continuará on-line, como registro do TR 2008 e, porque não, aberto a futuras intervenções.

Os participantes desta etapa estão incluídos no nosso cadastro e, também, presentes com seus fotos e videos, nos nossos canais no Flickr e Youtube. Fiquem atentos aos demais projetos do ISM.

No primeiro semestre de 2009 as inscrições para a oitava edição do Prêmio Sergio Motta estarão abertas.

Abraços a todos.

Camila Duprat
Renata Motta

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Alexandre Tomazi Ludwig
nov 18th, 2008 by Paloma | No Comments »

Alexandre Tomazi Ludwig está em diversos lugares, em diversos rótulos, aqueles que se fundem e não se tornam mais necessários, quebrando discussões e acrescentando conteúdo.

Entre intervenções e design, arte e criatividade, Alexandre deu uma entrevista aqui para o blog…

Acredito que se pensarmos em arte visual comercial - murais, ilustrações, arte interativa, etc, a linha entre as disciplinas técnicas fica bem fina. Já a arte intervencionista e arte de galeria, por outro lado, acredito que contemporaneamente é algo que prima pela expressão e sensações, cada vez mais, e é única. O design visual tem vertentes muitos expressivas, porém ainda um cunho comercial forte e limitado, quando o cliente precisa de resultado, diferente do cliente que busca fazer o diferente. Exemplos de clientes e artistas-designers: Coca-Cola, Gêmeos do Grafite, Joshua Davies, Lobo).

INSPIRAÇOES E INTERVENÇOES

Considero muito intervenção em arte urbana como fonte de inspiração. Um exemplo é o trabalho de Banksi.

A própria imagem da arte hoje em dia acredito que expressa bem essa diferença cultural no mundo. Acredito que a interação não deva ser direcionada em alguns casos, e sim generalizada, e ao entrar em contato com um trabalho, o publico esteja realmente sem esperar pelo que vai ver e se surpreenda. Se direcionada a interação, com um conceito forte, a obra pode provocar mudanças no público também.

Atualmente tenho feito experimentos em audiovisual, procurando uma linha de trabalho de video-arte com composição musical eletrônica. Além disso, tenho pesquisado sobre programação em ActionScript, para ambientes interativos Flash.

CAMINHOS

Para um universo próprio que geralmente precisa de explicações ainda, mas que já se define um pouco como um estilo. Gosto de improvisação, de experimentação e de mãos-a-obra. O fazer me leva a lugares que nunca imaginava, devido a minha formação. E isso é gratificante quando alguém comenta ao ver o trabalho,

Muito obrigado, e espero poder estar fomentando a cultura em Florianópolis cada vez mais a apartir de 2009.

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Lusco-f.LUX.o
nov 17th, 2008 by Paloma | No Comments »

Lusco-f.LUX.o é um coletivo de artistas muito empenhado de Salvador que enviou um texto especialmente preparado para o blog sobre o trabalho do grupo e a participação no TR.

Segue na íntegra!

1.QUEM SOMOS
Lusco-f.LUX.o é um coletivo de artistas de Salvador que estuda a arqueologia da imagem pré-fotográfica, e cujas ações são um híbrido de intervenção pública, arte interativa, imersiva, multimídia:
Lusco-fusco: aquele mágico instante de transição entre dia e noite.
Lusco, do latim luscus: aquele que vê de um só olho.
Fusco, do latim fuscus: aquilo que se tornou fosco, obscurecido.
f..LUX.o : fluxo de luz.
fluxo de tempo.
fluxos na cidade.
fluxos da nossa itinerância pela cidade.
ciberfluxo - arte na rede
grupo Fluxus - arte no cotidiano.
2. O QUE ESTAMOS FAZENDO
Numa tenda dos milagres, uma câmera obscura penetrável, itinerante, que percorre a cidade por roteiros que não necessariamente pertencem aos percursos turísticos tradicionais promovendo arte pública, o fruidor vive inusitadas experiências sensoriais efêmeras, num lusco-FLUXo de imagens do entorno invertidas, refletidas e em movimento, percebidas como nunca haviam sido antes.

Contaminações entre passado e contemporaneidade, ciência e arte, surgem com registros via mídias digitais, gerando imagens únicas, tocantes, surpreendentes, bastante diversas daquelas que perpetuam a imagem de uma Bahia ora festiva, ora bucólica, ora folclórica.

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II Trupe de Choque: teatro, pesquisa e tecnologia
nov 16th, 2008 by Paloma | No Comments »

Il Trupe deChoque é um grupo de teatro… mas não daqueles que agente pensa… hum… teatro? ai… será? Mais uma daquelas peças onde acaba em um monólogo e aguém nú? rsrsrs brincadeiras à parte, o grupo se volta para um intensa pesquisa em diversas vertentes (tecnologia, áudiovisual e artes plásticas, além das óbvias: interepretação, corpo, etc), o que o difere de um grupo comum.

Um de seus idealizadores, Fabrício Muriana deu uma entrevista aqui para o TR falando um pouquinho sobre o grupo…


O GRUPO

A II Trupe de Choque é um grupo de teatro que surgiu há oito anos nas manifestações da greve na USP e que hoje desenvolve a pesquisa para o próximo espetáculo que acontecerá, concomitantemente, na Usina de Compostagem de São Matheus e no Hospital Psiquiátrico Pinel de Pirituba.

Desde o início, os integrantes investigamos temas relativos à critica da indústria cultural e formas que dêem conta de transformar esses temas em cena. Até o último espetáculo apresentado, Miopia, a investigação era eminetemente teatral. No novo processo, Corpos Acumulados, investigamos há quase dois anos as possibilidades de incorporação de tecnologia que permita a apresentação simultânea da peça nos dois lugares que habitamos (ocupamos) e também a crítica da própria tecnologia utilizada. O grupo é composto por mais de 30 integrantes - majoritariamente vindos do Teatro Vocacional, projeto da prefeitura que fomenta o teatro amador - e é aberto à comunidade em ambos os espaços por meio dos núcleos de pesquisa de fotografia, vídeo, artes plásticas, música, tecnologia e interpretação.

INICIO

O processo atual surgiu de uma pesquisa coletiva que já dura quase dois anos, com objetivo de investigar os estágio atual do capitalismo nas instituições e os fluxos que o estruturam.

A princípio pesquisamos a lógica e os movimentos gerados pelos shoppings. Como maneira de investigar a arqueologia desse modo de produção de valor, pesquisamos a fábrica.

No atual momento, estamos mapeando as novas relações que se estabelecem pela internet no mundo conectado. Os dois espaços onde trabalhamos são fontes inesgotáveis de investigação para a criação de corpos em ruína, soterrados nos escombros de uma sociedade que tem na exclusão parte de sua força motriz. Pesquisamos as diversas contradições de uma sociedade brasileira que dialoga, ao mesmo tempo com o que há de mais desenvolvido - no que tratamos genericamente por tecnologia - e com a exclusão e miséria absolutas.

FUNCIONAMENTO

De maneira geral, funciona adequando-se às agendas e potências de seus integrantes. Atualmente, temos núcleos de pesquisa aos sábados pela manhã, segundas à noite e quintas à tarde e à noite. Além desses períodos, ensaiamos aos sábados e domingos por toda a tarde, parte da noite e eventualmente utilizamos a sexta à noite para o produção de vídeos.

Trazemos estímulos de fora (teorias, notícias, filmes, imagens, livros) e compomos os personagens da (anti)fábula que estamos criando diretamente na cena. Os atores produzem cenas a partir das discussões e pesquisas, que são vistas pelo próprio grupo e por um dramaturgo. Esse último fica responsável por propor cenas-síntese a serem novamente retrabalhadas pelos atores.

Há um grupo de 4 pessoas responsável pela direção do espetáculo, que se encarrega de trazer propostas e novos caminhos aos atores. Em paralelo a esse trabalho, os temas investigados pelos núcleos são incorporados às cenas e aos textos, de maneira que a tecnologia e as outras manifestações artísticas venham como forças propulsoras de novas cenas e não como complemento de cenas já criadas. É um tanto complexo, fica mais fácil acompanhar ao vivo. Sobretudo porque esses ensaios e núcleos podem acontecer em qualquer dos dois espaços, dependendo da nossa demanda.

MANUTENÇAO E ESTIMULOS

É possível dizer que não nos mantemos. Acho que a pergunta aponta mais pra idéia de “como existimos” sem nos “mantermos”. Isso porque estamos em cada um dos lugares, mas não há uma relação de pertencimento.

A Usina de Compostagem de São Matheus está ocupada há mais tempo, cerca de 3 anos, o que não nos garante que estaremos lá daqui a dez meses. Tudo acontece por meio de negociações com a esfera pública. Como a Limpurb, órgão que gere a usina, não tem qualquer envolvimento com projetos culturais, é necessário, a todo momento, mostrar que esse espaço público abandonado está sendo ocupado de maneira artística e que isso tem relevância.

Pela segunda vez, ganhamos o Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo e, mesmo com verba e compromisso público de montagem naquele espaço, nossa ocupação lá continua dificultada em muitos momentos. Não há diálogo entre Secretaria da Cultura e Limpurb e o resultado é que a permanência no local se transforma em desafio.

Já no Hospital Psiquiátrico Pinel a abertura é muito maior. Por parte dos administradores do local, há uma receptividade a movimentos artísticos que dêem conta da complexidade de relações que se estabelecem ali. Temos apoio da instituição para utilizar praticamente todos os espaços da imensa área onde está localizado o hospital. Não há qualquer intuito filantrópico na nossa investigação, portanto a relação com os moradores se dá de maneira orgânica, sem ninguém forçar a barra de nenhum lado. Também não estamos lá para estudar o comportamento dos pacientes, como em um laboratório. O envolvimento esperado de quem mora lá ou está internato é um envolvimento artístico, ou seja, a participação efetiva na criação das cenas.

Estivemos por um ano e meio sem qualquer verba de manutenção. Chegamos a fazer uma festa para arrecadar importantes R$ 1.500,00 reais que compuseram uma reserva de emergência para resolver problemas em qualquer dos dois lugares. Fomos expulsos da Usina por um período que durou quase quatro meses, o que interrompeu de maneira brusca nossa investigação, mas depois de uma grande articulação conseguimos mostrar ao estado e aos administradores da Limpurb que o nosso trabalho no local era necessário.

Alguns dos atores amadores que entraram no grupo por meio das oficinas realizadas em são Mateus formaram outro núcleo de investigação, o Teatro Peripatético, que recebeu incentivo do VAI (Valorização de Iniciativas Amadoras, da prefeitura de São Paulo) para dar início aos núcleos de pesquisa.

O resultado desta investigação será apresentado em dezembro, em ensaios abertos de algumas cenas. Essas cenas poderão ser apropriadas pela Trupe para o processo contemplado pelo Fomento, que estréia em agosto de 2009.

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Jessé Torres
nov 16th, 2008 by Paloma | 1 Comment »

Jessé Torres está buscando seu caminho no meio de tantas possibilidades de crição… entre as ruas, os submundos, o vídeo e a fotografia, ele falou um pouquinho para o TR sobre seus pensamentos…

A PROCURA POR UMA LINGUAGEM

Venho experimentando a fotografia artística desde o começo deste ano. Creio que ainda esteja à procura de uma linguagem minha. Me interesso pela intervenção urbana, pela expressão anônima nos muros, pela maneira como a cidade fala. Fotografo graffiti com dupla exposição da película. Gosto de mostrar o contexto em que se insere aquilo… Tento criar paisagens um pouco oníricas através da dupla exposição e do cross process com os cromos. Gosto da idéia de uma realidade alternativa, paralela, que perpassa o que normalmente se vê, escondida na cidade: o subterrâneo, o que é esquecido/desprezado, os não-lugares e as ficções que nossas mentes criam sobre uma dita “realidade”.

Gosto da sensação de não saber se se está ou não dentro da realidade ou dentro de uma obra que outra pessoa está vivenciando, de universos/realidades dentro de outros como bonecas russas.


WEB E NOVAS POSSIBILIDADES

Há muita gente cheia de talento e criatividade escondida. Ainda há muita resistência para novas formas de se produzir e de se refletir, mas creio que com o tempo todas as fronteiras se dissolverão. Falta incentivo, é claro, mas é possível ser criativo e produzir com aquilo que se tem, na medida do possível. Apoio financeiro e aceitação/inserção em circuito não devem ser obstáculos. A web facilita tudo, e a cara das novas produções é o fator interatividade, seja com quem está sentindo a obra, seja com outras obras, outros autores. Neste cenário, não há limites. Eu não moro “aqui”, moro na web.


PESQUISAS ATUAIS

Atualmente sou estudante de Jornalismo na UFSC. Ali me interessei especialmente por linguagens e formatos de narrativas jornalísticas em meios digitais, e as possibilidades destes meios. Fora da academia, por iniciativa própria tenho meus projetos pessoais de fotografia, vídeo…

Creio que meu trabalho leve à confusão entre realidades/discursos reais e imaginários sempre permeada por certa crítica social que negue todos os discursos datados. Talvez busque criar uma realidade extremamente diversa como provocação ao que está dado, como uma alternativa. Por que não assim?

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Dirceu Maués - pinholes digitais de Belém
nov 15th, 2008 by Paloma | No Comments »

Dirceu Maués não pode participar do TR em Belém porque infelizmente foi cancelado… mas está provando que tem talento pelo Brasil afora!!! Selecionado para a Mostra Competitiva 2008 do festival Vivo arte.mov, Dirceu deu uma entravista aqui para o TR…

Trabalho no Jornal O Liberal, não há uma setorização. Um dia você faz variedades. Noutro: esporte, polícia ou geral.Cada dia acontece alguma coisa diferente. Mas muitas vezes algumas pautas se repetem ciclicamente.

Meu trabalho autoral, operacionalmente, é bem diferente do trabalho no jornal. Mas a experiência do jornal alimenta muitas idéias, me proporciona vivenciar muitas coisas,percorrer lugares, conhecer a cidade e seus guetos,os bastidores e personagens da vida cotidiana. E isso tudo vira poesia e alimenta minha arte.

Meu trabalho mais recente em video foi feito da janela do carro do jornal, aproveitando o deslocamento aleatório percorrido na cidade.

Abandonei meus cursos (engenharia, matemática e artes) há uns treze anos, mas sempre mantive minhas leituras e uma certa formação autodidata. Agora em 2008 retomei meu curso de Arte Visuais na UFPa para me ajudar a organizar meu pensamento e defender melhor meus projetos.

A fotografia pinhole sempre me atraiu, mas só recentemente (2004) resolvi assumí-la em meu trabalho autoral e comecei então um trabalho de pesquisa sobre sua linguagem ligado mais a prática artística que cada vez mais vai entrando no campo teórico. Por isso voltei para universidade.

Comecei a perceber mais recentemente que o que me atrai na fotografia pinhole é o leque de possibilidades de criação que o processo de construção de sua própria câmera te proporciona, então começo direcionar minha pesquisa agora para a questão do aparelho,do dispositivo fotográfico e suas relações com campos ainda pouco exploradosna fotografia.

No Youtube tem dois videos: …feito poeira ao vento… e Disintegration.

O primeiro é um video feito a partir da animação de uma sequência de 991 fotografias pinhole (feitas com câmeras de caixinha de fósforó).

O segundo é a animação de alterações digitais em uma fotografia da cidade.

(em Belém) acho que há uma produção muito madura, não só no campo das artes visuais. Uma produção muito ligada a uma cultura local que dá uma potência muito grande para os trabalhos. Por outro lado, não há um mercado que dê sustentabilidade aos artístas. Acho que é isso….

 

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Marcelo Cordeiro… o criador solitário “por trás de uma objetiva, atrás de um objetivo”
nov 15th, 2008 by Paloma | No Comments »

Marcelo Perdido trabalha com vídeo desde 2004, se define como “biscate de vídeo” já que realiza todas ou qualquer função necessária na feitura audiovisual. Já trabalhou com Cinema e Música e teve alguns vídeos reconhecidos em Festivais e Premiações.

Fundou em 2006, a cinemaperdido, uma produtora imaginária de cultura real. A cinemaperdido cria de forma descompromissada imagens e sons, sempre super valorizando o banal e os micro-detalhes do comum. Hoje, o videomarker tem um programa snack sobre cinema na FizTv chamado 35pixels, é diretor freelancer da mtv e faz trabalhos com a revista BRAVO! e CAPRICHO.

Seu lema: Por trás de uma objetiva, atrás de um objetivo.

Marcelo deu uma entrevista aqui para o TR falando um pouquinho sobre seu caminho que não tem nada de perdido…

Minha pesquisa atual é sobre coloração de vídeo e suas possibilidades. Venho testando e procurando efeitos, filtros e recursos que através da mudança da cor original gerem novo sentindo, identidade e estética.

EM BUSCA POR UM ESTETICA

Assistindo trabalhos de outras pessoas, não há vergonha em se deixar inspirar por coisas boas feitas por outros. Para fazer vídeo, assista vídeo; esse é meu mantra. Quando vejo alguma linguagem, recurso, colorização, estética que gosto tento pensar o que ela me faz sentir e onde se aplicaria melhor, e o próximo passo é tentar reproduzi-la. Nessa etapa é preciso um pouco de criatividade pois nem sempre é fácil entender que recurso imagético o autor usou, você só tem o resultado e não o processo inteiro, ai é fazer da maneira mais “Faça você mesmo” possível.

A CENA DO VIDEO NO BRASIL

Eu não gosto muito de distanciar vídeo da televisão, gostaria que ambos andassem cada vez mais juntos, pois poderiam ser uma coisa só. Quando digo isso, falo no sentindo da aproximação do que chamamos de ‘vídeo’ com o grande público, para isso talvez uma proposta um pouco menos artística, uma atitude menos artística.

Para mim vídeo sempre foi uma maneira de dizer algo, não necessariamente contar uma historia, mas dizer algo. Não vejo isso muito no Brasil, mas a internet está mudando tudo, o vídeo agora é digital, acessível e feito por qualquer um. Essa é a realidade da internet e cada vez mais será a da Televisão.

Acho que o Brasil por ser um consumidor voraz de internet e seus recursos, vem se alfabetizando em vídeo-digital e assimilando isso sem resistência nenhuma, em poucos anos teremos um cenário totalmente diferente.

Uma vez que os curadores de festivais e prêmios sejam realmente imparciais nas suas escolhas, teremos cada vez mais novos “artistas”(em aspas pois os mesmo não se consideram artistas com a pretensão e peso da palavra, fazem vídeo desde que nasceram e fazem da criação do vídeo algo tão natural que muitos fazem intuitivamente o que precisamos estudar durante anos), superados nos anos posteriores por outros mais novos ainda, já que estes tem aprendido on-line a superar em linguagem e estética muitas idéias e trabalhos antigos.

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Jucira Araújo em busca do infinito
nov 14th, 2008 by Paloma | 5 Comments »

Jucira Araújo fez o vídeo Infinita Infância para o AD INFINITUM , mostra realizada setembro na Fundação Casa de Cultura Simão José Silva em Cataguases para relatar a situação infinita da exploração do trabalho infantil em todo o território Brasileiro… neste caso nas ruas de Salvador…

Jucira busca o conceito, o símbolo, o signo da palavra infinito=perpertuar usando objetos e imagens para se expressar.

Jucira por Jucira aqui no TR…

PRIMEIROS PASSOS

Minha pesquisa inicia em 94 qdo chego a Bahia e começo a fazer manualmente vários meios cones, fiz 300, muitos e montei no chão uma grande espiral. Nesta época tive o trabalho de levar todo este material para o studio de um grande fotógrafo por aqui, para que fosse feita uma fotografia a altura de uma inscrição em um salão…

Percebia então que em tudo que fazia, desenhos, pinturas, tudo, desde a época da escola Guignard em Minas se traduzia em infinitos triângulos…

Passei a estudar toda a simbologia, todos os signos referentes ao número três. Com influencia de minha escola me tornaria uma artista simbólica, abstrata e ainda com um nome indígena. Por ter escolhido a cerâmica, começo minha pesquisa pela historia indígena brasileira.

Para me sustentar comercialmente comecei a trabalhar com parafina.

Neste momento meu trabalho ganha um salto, passo a isolar a parafina com a cerâmica crua e crio peças com cerâmica cosida junto a parafina a madeira e o ferro e por fim ganho um premio no salão do Pará 2004.


EXPERIMENTAÇOES AUDIOVISUAIS

2005 adquiro uma camera sony 8.1 mega pixels e aprendo movie maker, fico enlouquecida, começo a fotografar tudo que acontece em meu atelier, parafinas derretendo, o fogo, as paredes do quintal com suas manchas, cores e texturas velhas.

Começo a gravar meus pés caminhando pelo corredor de minha casa e o barulho que faz, pois moro em uma casa do séc. 19 no centro histórico de Salvador, gravo a escultura pendurada e embalada pelo vento e gravo as imagens e sons do cotidiano do bairro.

Bom, ao perceber meu arquivo fotográfico, me deparo com imagens que dependendo do corte e espelhando-as (virando-as) no photoshop, eu conseguiria uma outra imagem mais infinita ainda. Pesquiso referencia deste trabalho na arte e só encontro algo parecido em 1974 com o Prof. Aloísio Magalhães em PE com as Cartemas.

"Por algum tempo, achei que a pintura estava morta. Hoje não posso dizer mais a mesma coisa. 0 desenho industrial me obrigou a ser mais pragmático, a ter um contato mais direto com o meu meio social, a aceitar muitos limites. Hoje, quando faço os cartemas, eu ainda estou aceitando um limite: o do cartão-postal. Mas, assim como não acredito que a pintura esteja morta, não coloco abaixo de nada do que faço minhas atividades como desenhista industrial. Acabei descobrindo que a cultura não é eliminatória, mas somatória."

Aloisio Magalhães,
Diário de Notícias, Rio de Janeiro, 17 abr. 1974

Então monto um trabalho fotográfico e sou selecionada no salão de fotografia(Belém/2005) com um trabalho grande que se chama AGANJÚ 3 , que totaliza uma área de 4.80m x 1.00m com 12 fotos espelhadas, intuitivamente ou não 1+2=3.

Começa aí minha pesquisa na internet, com imagens e ícones de minhas infinitas lembraças da infância 1970: a Susi, o quichute, anjos etc.


NOVAS PESQUISAS…

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